quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Ácido Gama Hidroxibutirato – GHB


Apesar de ser comum nos Estados Unidos e principalmen­te na Europa, essa é uma substância relativamente nova no Brasil. É impressionante o nível de sigilo em tomo do GHB (ácido gama hidroxibutirato). Até mesmo atletas que se predispõem a falar aber­tamente sobre seus ciclos, podem citar esteróides anabólicos, GH, insulina e outras drogas, mas normalmente omitem o GHB.

Essa droga foi descoberta pelo cientista francês Hemi Laborit, em 1960, enquanto explorava os efeitos de um neurotransmissor ini­bitório denominado GABA (ácido gama amino-butírico), que atua nos neurônios gabaérgicos. Como muito pouco GABA atravessava a barreira cerebral, Laborit sintetizou o GHB. Ele consegue atraves­sar a barreira cerebral facilmente, sendo em parte metabolizado em GABA. Ou seja, o GHB é um metabólito do GABA, aumentando sua concentração ao nível cerebral. O GABA é responsável tam­bém pelo estímulo e acúmulo de dopamina, associada aos efeitos de bem-estar e clareza, após sua utilização.

Nosso organismo também produz o GHB, mas em pequenas quantidades. Laborit imediatamente observou as propriedades bené­ficas do GHB como um importante metabólito, capaz de promover efeito antioxidante e antiisquêmico. O medicamento também pode­ria proteger o cérebro contra certos tipos de lesão. Laborit, inclusive, sugeriu o uso do GHB para o tratamento do mal de Parkinson e para tratar dependentes de morfina.

Originalmente, o GHB foi desenvolvido como sedativo para ajudar em casos de insônia e como anestésico de uso hospitalar. Porém, devido à dificuldade dos médicos em precisarem a dosagem ideal, seu uso foi deixado de lado, sendo inclusive banido pelo FDA (Food and Drug Administration), em 1990, após serem constatados óbitos associados ao abuso da substância. A droga pode ainda ser encontrada com o nome de GBL (gama butil-Iactona), biotransfor­mada em GHB em nosso corpo.

O GHB também pode ser encontrado nas danceterias das grandes cidades. Chamá-Io de “ecstasy líquido” não passa de uma estratégia de marketing do submundo do tráfico. Com a analogia, os traficantes pretendem conquistar o mesmo público já adepto das pastilhas de “E”. Apesar dos efeitos parecidos, o ecstasy e o GHB são quimicamente díspares: este é um depressor do sistema nervoso central e aquele é estimulante. Em meados dos anos 90, com a moda clubber, o GHB entrou para o rol das chamadas club drugs – as drogas de boate – entre as quais fazem parte também o ecstasy e a ketamina, um analgésico para cavalos usado como alucinógeno nos clubes noturnos. O GHB também é muito utilizado por estuprado­res, que misturam a substância na bebida da vítima para que ela caia em sono profundo.

A dosagem, visando um incremento nos níveis de GH durante o sono, varia de indivíduo para indivíduo, porém a mais comum pa­rece girar em torno de 2 a 4 gramas de GHB logo antes de dormir.

O GHB é um líquido inodoro, levemente salgado e pode ser encontrado em pequenas garrafinhas, cápsulas ou em pó. A prin­cípio, a droga parece ser uma substância bastante segura e não tó­xica quando utilizada em dosagem correta. Porém, aí é que está o verdadeiro perigo, pois, no submundo da comercialização ilegal de drogas, nunca se sabe exatamente qual é a real concentração do produto, já que ele pode ser facilmente produzido de forma caseira. Não dá para saber que espécie de idiota estará manipulando as subs­tâncias químicas necessárias para a produção de GHB.

Vale observar, que a tendência de produzir ou sintetizar a substância nas cozinhas de algumas residências, surgiu com a proi­bição da comercialização legal do produto. Se levarmos em conta que a mistura dessa droga com outras substâncias estimulantes do sistema nervoso central – pastilhas de “E” ou álcool – pode ser fatal, o usuário poderá ter uma alegre noite de divertimento na maior festa RAVE de todos os tempos, a que acontece no inferno, durante 24 horas, por toda a eternidade!

Fonte: Guerra Metabólica – Waldemar Marques Guimarães Neto

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